sábado, 2 de janeiro de 2010

2010! Happy New Year!


Rent - Seasons of Love
Five hundrend twenty five thousand
six hundred minutes
Five hundrend twenty five thousand
moments so dear
Five hundrend twenty five thousand
six hundred minutes
How do you measure,
measure a year
In daylight, in sunsets, in midnights,
in cups of coffee, In inches, in miles
in laughter in strife,
In Five hundrend twenty five thousand
six hundred minutes
How do you measure a year in the life
(chorus)
How about Love
how about love
how about love
measure in love
seasons of love
seasons of love
Five hundrend twenty five thousand
six hundred minutes
Five hundrend twenty five thousand
journeys to plan
Five hundrend twenty five thousand
six hundred minutes
how do you measure the life of a woman
or a man
In truth that she learned
or in times that he cried
In the bridges he burned
or the way that she died
Its time now to sing out
though the story never ends
lets celebrate remember a year
in the life of friends
(chorus)
Vejam o trailer do filme:
Vejam as gravações da canção nos bastidores:
Que o 2010 possa ser medido em amor. Façam por isso!

Alvin and the Chipmunks - The Squeakquel / Alvin e os Esquilos 2


Em primeiro lugar, Bom Ano Novo para toda a gente! Que seja um ano melhor que os precedentes, em todos os aspectos.

Na semana passada, fui ver o Alvin e os Esquilos 2 com um grupo de amigos, o meu irmão mais novo e o meu primo e devo confessar que superou as minhas espectativas (o que não é nenhum milagre de Natal, LOL). Já tinha visto o primeiro filme. Sou um fan confesso do actor "principal" (as aspas foram colocadas, porque os verdadeiros protagonistas são os esquilos digitais) Jason Lee que apareceu em "Quase Famosos" e "Vanilla Sky", ambos de Cameron Crowe, e protagonizou o delirante "My Name is Earl". Este filme contava a história de uns esquilos falantes com um dom especial para a música e muita energia que faziam a vida negra a Dave, que os adoptou como família. Nesta sequela, em que as criaturinhas já têm uma carreira bem cimentada e não temem que Dave os abandone, os esquilos têm que ir viver com uma tia de Dave, após um acidente em que ele ficou interrrrnado num hospital parrrisiense (quem tiverrr visto o filme dobrrado parra porrtuguês vai perrceberr a repetição dos R's). A tia Jackie é interpretada por Kathryn Joosten, a idosa vizinha das Donas de Casa Desesperadas. No entanto, ela aparece pouco, porque também ela tem um infeliz acidente que a deixa internada num hospital e quem cuida dos esquilos é o outro sobrinho Toby, interpretado por Zachary Levi, o qual vive na casa da tia até encontrar algum talento e começar a trabalhar, passando o tempo entre comer e dormir a jogar X-Box.

Não podem estar à espera de ver um grande filme, se o forem ver. É para crianças e para adultos sem medo de contactarem com o seu lado mais simples e infantil. Todos os outros correm o risco de ficarem tão ofendidos que tenham que sair da sala de cinema para não começarem aos gritos. Mas isso também caracterizava o primeiro filme! Portanto, se gostou do primeiro filme, também pode ficar agradavelmente satisfeito com o segundo. Se não, nada feito.

O mau de serviço do primeiro filme, o agente musical sem escrúpulos interpretado por David Cross, volta a aparecer e é, novamente, na minha opinião, o pior do filme. É um actor de comédia, sem piada! Pode ter arrancado algumas gargalhadas ao público quando apareceu em Scary Movie 2, mas de resto é apenas um gajo esquisito, com uma cara feiosa, foleiro e histérico. Nem a roubar um bolinho a uma ratazana ou a cantar All the Single Ladies da Beyoncé conseguiu ter grande piada. Nem os miudinhos na sala ficaram convencidos com a perversidade daquele vilão.

Seja como for, os esquilos são espectaculares, o argumento é ainda mais divertido do que o do primeiro filme, com uma sucessão de piadas delirante do início ao fim do filme. Temos direito a umas Esquiletes, por quem os nossos protagonistas se apaixonam, que são basicamente o reflexo feminino de cada um dos nossos protagonistas peludos. As músicas são recentes e enérgicas e cativam todos os que gostarem de as ouvir com vozes de hélio. Hilariante e muito mais enérgico, este filme é, para mim, uma sequela satisfatória. Só é uma pena a falta de originalidade e o vilão, que atiram este filme para a mediocridade dos filmes para crianças.

Aconselho-o apenas a todos os que querem fazer rir as crianças e desejam aprender a rir como elas. Mas para isso também não há nada como um bom filme da Pixar, mas esses só os há uma vez por ano...

Divirtam-se!
Site oficial do filme: http://www.chipmunks.com/#home

domingo, 13 de dezembro de 2009

Great Expectations - Avatar


James Cameron é um homem que não tem uma filmografia muito extensa, tendo realizado apenas oito filmes e dois documentários em toda a sua carreira, mas ficou para sempre na história do cinema, assim como cada um dos filmes que fez. Apesar de dizer que não pensa de forma hollywoodesca e ser canadiano, não se preocupando em ter sucesso comercial, todos os seus filmes foram grandes êxitos de crítica e bilheteira. O Titanic continua imbatível no topo, passados 12 anos desde que foi feito. 14 nomeações, 11 oscares, e o maior sucesso de bilheteira de todos os tempos. Desde esse filme que James Cameron se tinha dedicado apenas a explorar o fundo dos oceanos, fazendo dois documentários para poder financiar as expedições. O mundo implorava que ele voltasse a fazer algum filme. Afinal de contas, foi ele quem fez os primeiros dois Exterminadores Implacáveis, O Abismo, Aliens: O Reencontro Final e A Verdade da Mentira. Talvez o facto de apenas ter feito estes filmes, e do intervalo de tempo entre eles ser tão grande, seja explicado pela sua mania da perfeição. Tudo passa pelas suas mãos, desde o guião, realização, produção e montagem. Não há nada que ele não controle. Repete as cenas até 40 vezes se for necessário, sendo que a rodagem dos seus filmes é sempre bastante longa.

Escreveu Avatar em 1995 e após realizar Titanic tentou saber se era possível realizar esse filme. Não. O mundo e a tecnologia ainda não estavam preparados para um filme tão inovador. Eis que já em pleno século XXI ele vê um certo Gollum num filme chamado O Senhor dos Anéis e pergunta-se se já pode retirar o guião de Avatar da gaveta. Foi necessário criar nova tecnologia, a mais avançada de sempre, com uma nova câmara de alta definição e novos aparelhos para as cenas de motion capture (em que se capta o movimento dos actores e se integra nas suas personagens digitais) e 4 anos para concretizar este sonho. Prevê-se uma revolução da experiência de ver filmes, prometendo uma imersão total do espectador na acção através do 3D.

A história dificilmente podia ser mais irreverente (principalmente se tivermos em conta que foi inventada há já 15 anos). Sam Worthington (Exterminador Implacável: A Salvação) interpreta um ex-marine que ficou paralítico em combate e tem uma nova oportunidade de voltar a andar e a servir o seu país, quando o convidam a experimentar um Avatar para visitar um novo planeta. Um avatar é um "traje biotecnológico onde se mistura o seu ADN com o da raça extraterrestre que povoa esse mundo. O seu objectivo é comunicar com essa civilização", como o actor explica à Premiére, de forma a que os seres humanos consigam explorar os recursos naturais desse planeta. Acontece que esta espécie vive em harmonia com a natureza, pelo que a introsão devastadora do ser humano tem que ser travada a qualquer custo. Começa então uma batalha entre os habitantes nativos de Pandora (o planeta) e os seres invasores (os humanos). Jake, o protagonista, que aprendeu a forma de viver e os costumes dos Na'vi (os nativos) com a ajuda de Neytiri (interpretada pela belíssima Zoe Saldana que vimos nos Piratas das Caraíbas e em Star Trek), por quem se apaixona, tem então que decidir de que lado da batalha está.

Além destes actores, temos Sigourney Weaver, a cientista que inventa os avatares e "acredita que a ciência pode salvar o planeta Pandora" (pensem no mito da caixa de Pandora, se faz favor); Stephen Lang (Inimigos Públicos), o coronel que comanda a invasão do planeta; Giovanni Ribisi (Inimigos Públicos, 60 Segundos), o homem que quer explorar os recursos naturais de Pandora a todo o custo; e Michelle Rodriguez (Velocidade Furiosa), militar e amiga da personagem de Sam Worthington. Não devia mencionar Joel David Moore, porque além de ter o meu nome, participou num dos piores filmes de sempre: "The Hottie and The Nottie", ou "A Bela e a Feia", com Paris Hilton. Não percebo como é que se salta desse exterco para uma das maiores produções do ano...

Quinta-feira, vamos ser invadidos por Avatar nas nossas salas de cinema. Não vou poder assistir à sua estreia, mas mal posso esperar por abalar os meus alicerces com um filme que promete ser uma experiência inesquecível.

Assistam a este vídeo no Youtube, para terem noção do trabalhão que este filme deu: http://www.youtube.com/watch?v=L6JXUoWeZ7Q
Vejam também a reacção dos críticos que tiveram o privilégio de assistir à ante-estreia em Londres na passada quinta-feira: http://ipsilon.publico.pt/cinema/texto.aspx?id=247142

sábado, 5 de dezembro de 2009

Curtas-Metragens - Grandes Obras


As curtas-metragens, forma de cinema tão ignorada, são muitas vezes verdadeiras obras de arte. Preciosidades, é com elas que se formam todos os artistas da sétima arte. Eu próprio já fiz umas quantas, procurando o meu próprio estilo, aprendendo e imitando, não o nego. Vou encontrando pequenas noances nos meus filmes preferidos, que gosto de recriar para contar as minhas próprias histórias. Vou encontrando também novos ângulos e conhecendo as dificuldades, as limitações. Vou descobrindo truques, com os quais consigo criar e dar vida a tantas fantasias e abstracções. Transformo a minha imaginação e sonhos em realidades.

As curtas-metragens, como obras de arte e ferramentas de aprendizagem que são, são também vencedoras de prémios (inclusivé Oscars) e dão notoriedade a futuros grandes realizadores e actores.

As curtas-metragens, são como os contos. Há pequenas histórias que só por serem transformadas em romances, perdem metade da sua beleza. Não devem ser prolongadas mais do que aquilo que são. São belas pela sua simplicidade. Ou deslumbrantes pela forma como têm tanto condensado em tão pouco tempo. São exercícios de liberdade, em que o artista pode fazer o que quer sem ter que se preocupar em como vender o seu produto. É fruto do nosso egocentrismo. Fazemo-las como nós gostaríamos de as ver, para agradar a nós próprios, namorando o nosso próprio úmbigo. Podem emocionar, surpreender, divertir, confundir, chocar.

Gosto de as ver. Mas são tão pouco divulgadas, a maioria delas, que só se encontram em certos círculos mais restritos.

Eis que aparece uma nova ferramenta, muito útil, que nos fornece um acesso a um conjunto de obras tão mais vasto. A Internet e o Youtube (em concreto), apesar dos seus inúmeros defeitos, tem esta qualidade. Acesso.

Deixo-vos aqui um conjunto de grandes obras que eu muito aprecio... Tendo participado nalgumas delas... Falando de namorar com o úmbigo...












Lost? (Coldplay Video Competition)




Sociologia da Saúde - Desigualdades Sociais face à Saúde: http://www.youtube.com/watch?v=2LEAFGDSWV4

Blair Bitch - As Desventuras de Vagina Girl

E a fotografia que podem ver no topo deste post foi tirada durante as filmagens da minha última curta, a qual ainda está em pós-produção... Desejem-me sorte...

Surrogates - Os Substitutos


A primeira coisa em que penso quando oiço o título português deste filme é na música de uns desenhos animados da Disney que também se chama "Os Substitutos" (em Portugal e no Brasil). Infelizmente, chama-se "The Replacements" nos países anglosaxónicos, pelo que a associação só tem lógica em Portugal.


"Os Substitutos" é um filme de ficção-científica, protagonizado pelo veterano Bruce Willis e realizado pelo medíocre realizador de "Exterminador Implacável 3 - A Ascenção das Máquinas" (o pior filme da saga e o último em que Schwarzenneger participou), Jonathan Mostow. Willis demonstra neste filme a sua qualidade enquanto actor e não como estrela de acção. A idade dele já pesa, algo que torna este filme ainda melhor. Pena não se dedicar a mais papéis dramáticos como nos filmes de M. Night Shyamallan ("O Sexto Sentido" e "The Unbreakable - O Protegido"). Quem sabe... Ambos estão a precisar de um empurrão nas suas carreiras. Talvez uma nova parceria entre eles fosse benéfica. O público agradecia. Deixo aqui o mote.

Este filme faz lembrar o filme "I, Robot", de Alex Proyas (um realizador que considero um artista, apesar de "Knowing - Sinais do Futuro" - http://joelpearsmoviesandshits.blogspot.com/2009/05/knowing-sinais-do-futuro.html) protagonizado por Will Smith, em 2004. Não só por serem ambos filmes de ficção-científica com robots, mas pela vertente filosófica que ambos têm (o melhor destes filmes) e por serem ambos policiais carregados de suspense, o que os torna absolutamente hipnotizantes. Para acentuar ainda mais as parecenças dos dois filmes, o actor que interpreta o criador dos robots de "I, Robot" e o criador dos Substitutos (Surrogates) é o mesmo - James Cromwell, um óptimo actor que também podemos ver na série "Sete Palmos de Terra - Six Feet Under", e mais conhecido por ser o dono de "Um Porquinho Chamado Babe". Ehehehe.

Numa sociedade em que cada vez mais as pessoas desejam ser perfeitas e belas para sempre, satisfazendo os sete pecados mortais sem consequências, os Substitutos seriam a invenção perfeita. Todas as pessoas podem correr riscos sem sairem da segurança do seu quarto. Ligados "telepaticamente" ao seu substituto, têm todo o tipo de sensações e sentimentos como se estivessem realmente a caminhar pela cidade, a trabalhar, a fazer sexo com quem quisessem, a atirarem-se de edifícios, sem morrerem, sem apanharem doenças, sem sentirem dor... No entanto, existe sempre quem compreenda que as pessoas estão na verdade a viver uma mentira. As pessoas fechadas nos quartos são feias, doentes, incapacitadas... frágeis! E estão viciadas numa vida que não é a sua.

Subitamente, ocorre um crime inimaginável. Alguém conseguiu matar duas pessoas, matando os seus substitutos, quando a empresa que os fabrica afirmava que tal seria absolutamente impossível. Destruir um substituto nunca poria em risco a vida dos seus utilizadores. Bruce Willis é o inspector que vai investigar quem conseguiu cometer tal crime, como e porquê.

Este não é um vulgar filme de acção. As cenas de acção até são poucas e servem apenas para contar a história. O argumento explora a fragilidade do ser humano, as suas fraquezas, o que o leva a desejar ser perfeito e imune, a sua tendência para o vício... As personagens têm uma profundidade dramática superior ao que é habitual em filmes deste género. Superior até ao que vimos em "I, Robot". A personagem de Bruce Willis assenta-lhe que nem uma luva, aproveitando-se das dores da sua idade e da sua maturidade. É como um bom vinho (diz quem é apreciador). LOL

No entanto, é um filme com alguns buracos narrativos... Como é que é possível matar alguém com uma arma que "dispara" um vírus informático contra os substitutos. Percebo a parte em que o substituto morre. Mas não percebo como é que um vírus informático rebenta com o cérebro de uma pessoa. Além disso, os substitutos serem um sucesso tão grande como o filme tenta levar a crer, também não convence muita gente. É verdade que todos nós gostariamos de ter um para viver as mais loucas aventuras em total segurança. Mas poucos de nós teríamos dinheiro para pagar tal comodidade. Nem 90% da população tem dinheiro para um computador. Logo 90% da população ter um robot substituto parece um absurdo. E no filme eles deixam bem acente que os robots não eram de graça...

Contudo, tudo isto são apenas detalhes, num filme que explora uma ideia original e tem coragem de a tornar real. O cinema é uma forma de arte e esta não segue as regras do nosso mundo. Tem apenas como limite a nossa imaginação. E esta pode ir bem longe.

Desafio qualquer pessoa que não tenha medo de filosofar a ver este filme. Vamos todos dar corda aos neurónios e começar a pensar...

sábado, 28 de novembro de 2009

2012

Vi este filme no dia de estreia, mas nunca mais tive oportunidade de falar com ele aqui no "Joel Pear's Movies and Shits". Digamos que vida de finalista não é tão excitante como se diz e que também não é exactamente fácil... E trabalhar num hospital não é como o "Serviço de Urgências", "Anatomia de Grey" ou "House". Exceptuando no que diz respeito aos conflitos pessoais. As pessoas que lá trabalham andam tão sobrecarregadas de trabalho e stressadas que descarregam tudo em cima umas das outras, o que cria o efeito Bola de Neve, com gente a stressar-se ainda mais e a tomar anti-depressivos e a meter baixa para não ter que voltar àquele inferno durante umas semanas.
Continuando!
2012 não me desiludiu nada! Adorei este filme! Rolland Emmerich está de parabéns por ter feito um filme trepidante em que as personagens não se movem como peças de xadrez. É evidente que tudo está incrivelmente exagerado, mas olhem bem para a premiça: é o FIM DO MUNDO! Tem que ser algo em grande!
Existe uma ou outra personagem um tanto ou quanto caricatural (vejam os russos), mas o realizador e os actores conseguiram insuflar vida em todas aquelas pessoas de vários países que tentam salvar-se a todo o custo. John Cusack regressa num papel que lhe revitaliza a carreira, mostrando que continua um óptimo actor de comédia e consegue transportar às costas um filme de 200 milhões de euros. É ele que nos leva nesta espectacular viagem pelo Apocalipse (e viagem não é necessariamente uma metáfora) em que nos divertimos, rimos, agarramos as cadeiras, tentamos sobreviver com a todo o tipo de cataclismos avassaladores e mega-realistas, envolvemo-nos com as personagens, emocionamo-nos, assustamo-nos... um pouco de tudo. O filme tem todos os ingredientes.
Falando das outras personagens: quem esperava ver Amanda Peet interpretar uma personagem jovial e cómica, como nos habituou, desengane-se. Ela é o contraponto dramático de John Cusack, sendo a ex-mulher que teve que desistir do seu futuro para cuidar dos filhos, enquanto ele tentava ser um escritor de ficção-científica. Chiwetel Ejiofor revela-se um óptimo actor (sendo que tem aparecido sempre em papéis mais secundários do que principais até este filme) sendo o grande herói moral deste filme. É um cientista de valores, guiado pela razão e pelo conhecimento. Thandie Newton não tem aqui um papel interessante para meter no currículo, quando já interpretou personagens de enorme intensidade dramática na série "Serviço de Urgência" e no espectacular "Crash - Colisão". Na minha opinião, ambas as actrizes principais foram ligeiramente sub-aproveitadas. Mas é um prazer vê-las e elas também não se queixaram muito.
Danny Glover (Arma Mortífera, Ensaio sobre a Cegueira) é um presidente dos EUA convincente, com o peso de todas as decisões tomadas relativamente ao destino da humanidade a pesarem-lhe na consciência. É um excelente actor, num excelente papel, que poderia ser uma referência a Obama (que ainda não era presidente quando o filme estava a ser rodado). Mas continuo a preferir ver o Morgan Freeman a fazer o mesmo papel no meu adorado Impacto Profundo (o filme que me fez querer ser realizador de cinema, um dia...).
Finalmente, a personagem de Oliver Platt talvez fosse desnecessária, ou seja demasiado plana. É o mau da fita. Não nego que existam homens destes na realidade. Eles existem e não têm escrúpulos. Mas é um cliché num filme deste género. Podia ter sido evitado. Não fosse o facto de Chiwettel Ejiofor ser o seu oposto (com escrúpulos) seria de desejar que este lhe tivesse espetado uma murraça nas fuças. Ainda bem que não aconteceu. Isso, apesar de prazeroso para o público, seria um cliché ainda maior. E deixem-me falar-vos de Woody Harrelson! O homem é genial! Louco, alucinado, perfeito nesta personagem que quase nos faz chorar a rir e arrepiar perante as imagens apocalípticas que ele descreve e admira tanto como nós. Ele pode muito bem ter sido o melhor deste filme.
Não me vou prolongar em relação aos efeitos especiais. Estão muito próximos da perfeição. Nunca vimos no cinema desastres naturais tão realistas, gigantescos, horripilantes e avassaladores como neste 2012!
O argumento não é uma obra de arte, mas deixa que as personagens se desenvolvam, é bem ritmado e equilibrado, o que num filme com tantas personagens quase principais, é de louvar. Há-de haver também pessoas, como eu, que ansiavam por um filme em que finalmente houvesse a coragem para acabar com tudo e arrasar a humanidade da face do planeta. Será que o final deste filme as vai deixar satisfeitas? Não vou revelar pormenores. Eu fiquei bastante satisfeito. Há-de haver quem não fique. Seja como for, daqui a algum tempo é possível que estejamos todos a ver televisão, assistindo ao novo projecto do realizador: Uma sequela deste filme, possivelmente chamada 2013. Não será um filme, mas uma série. E eu estou ansioso por ver o que aconteceu pelo resto do planeta, com personagens de outros países, sobreviventes a tentar sobreviver ao Aftermath...
Respondendo a uma pergunta que eu coloquei neste blog há já bastante tempo: O fim do mundo será divertido? Sim. E vale a pena ver... numa sala de cinema, claro! Preparem-se para sair de lá com as pernas a tremer.

domingo, 8 de novembro de 2009

The Soloist - O Solista


O realizador britânico de "Atonement - Expiação" e de "Orgulho e Preconceito", Joe Wright, fez o seu primeiro filme americano e comprovou a sua qualidade e talento. O Solista não é uma obra-prima, mas foi uma óptima escolha para o realizador se transferir para Hollywood e um filme que sucede as anteriores obras deste artista com grande sensibilidade.

Esta é a história verídica de um jornalista, interpretado por Robert Downey Jr. (nomeado ao oscar por "Chaplin" e "Tempestade Tropical" e estrela do franchise "Iron Man") que se encontra perdido no marasmo de uma vida sem grande sentido e objectivos e do sem-abrigo esquizofrénico que ele encontra na rua, interpretado por Jamie Fox (vencedor do oscar por "Ray"). Este jornalista encontra neste sem-abrigo uma grande fonte de inspiração para o seu trabalho, acabando por conseguir encontrar um sentido para a sua vida ao tentar ajudá-lo, uma vez que aquele homem tinha um incrível talento para a música, apesar de apenas ter consigo um violoncelo partido.

Ambos os actores interpretam papeis riquíssimos e conseguem insuflar-lhes vida e dinamismo. A química entre eles é inegável, enquanto a relação entre eles se transforma em amizade.

Joe Wright conseguiu criar belíssimas sequências abstractas e subjectivas, em que tentou transmitir os sentimentos e sensações transmitidas pela música a quem a tocava e a quem a ouvia. Tentar transformar a música em imagens, sons em luz, é algo quase impossível, mas este realizou tentou fundir ambas as artes numa só ao longo de um filme que nos embala e faz viajar pelos nossos pensamentos e descobrir emoção nos sons que nos rodeiam no dia-a-dia.

Pode não ser um filme tão falado/conhecido como os outros dois filmes deste realizador, mas é excelente por mérito próprio. É uma espécie de ensaio que tenta derrubar os limites do cinema e do que este nos pode proporcionar. E aposto que vai ser nomeado (pelo menos) para o oscar de melhores efeitos sonoros e som.

Façam mais filmes destes, por favor! Esqueçam J.I. Joes e Transformers. Eu gosto de blockbusters, mas o cinema parece andar com tendência para resvalar para uma zona sombria com pouco gosto e consideração pela inteligência dos espectadores (ou talvez não). Aqui temos uma obra de arte que agrada público e crítica, com uma qualidade inegável, uma história que apesar de pouco original é real e única e merece ser vista por todos.