sexta-feira, 17 de julho de 2009

Harry Potter and The Half-Blood Prince


Olá Pessoal!

Quando vi no cinema, há dois anos, o quinto capítulo desta saga, fiquei com a sensação de que, apesar de gostar do filme, faltava lá muita coisa e que David Yates era só um fabricante de cinema espectáculo que não estava à altura do que os filmes necessitavam para tornar realidade o que as aventuras de J. K. Rowlling têm de melhor. Era só um filme com muitos efeitos especiais e uma boa diversão de verão. Nada mais.

Ontem, fui surpreendido ao ver Harry Potter e o Príncipe Misterioso, realizado novamente por David Yates. Um filme de uma qualidade superior à de todos os seus predecessores, a vários níveis.

Os efeitos especiais, surpreendentes, não são o principal desta fita. Servem o filme e não o contrário. A genialidade de J. K. Rowlling, que nesta aventura conseguiu reunir elementos das histórias anteriores que nunca pensámos que tivessem relevância para o desenvolver dos acontecimentos futuros nesta intriga, foi dignificada com um filme que lhe faz justiça.

Os actores estão em topo de forma. Notamos que todos eles têm evoluido ao longo desta série de filmes e estão cada vez mais competentes. Vivem aquelas personagens, com uma confiança notável, demonstrando todo um enorme rol de emoções, desde a paixão, à tristeza, passando pelo amadurecer, enquanto passa pela trágica viagem pela adolescência até se tornarem adultos.

É uma história que, apesar de estar coberta por uma atmosfera sombria, correspondente ao aumento dos poderes de Voldemort e da ameaça que este representa para todos, tem muitos mais momentos humorísticos que os anteriores. Em oposição, é um filme mais assustador que muitos dos filmes de terror dos últimos tempos. Esta é também uma viagem pelos erros que cometemos na juventude, desde as paixões não correspondidas, aos namoros errados e a todas as tragédias por que os adolescentes passam.

Daniel Radcliffe está inegavelmente perfeito como Harry Potter. Rebelde, revoltado e um pouco solitário, como nos filmes anteriores, mas muito mais humano, com espaço para as brincadeiras infantis que os rapazes têm na escola, para se apaixonar verdadeiramente por alguém, para aprender a viver, com os amigos e alguns dos professores, tomando decisões e cometendo alguns erros. Emma Watson e Rupert Grint (Hermione e Ron) são os amigos que nos completam e sem os quais não superariamos as adversidades, tendo um peso cada vez mais importante na história. O Professor Dumbledore, representado na perfeição por Michael Gambon, é o professor que todos gostariamos de ter (e raramente temos), sendo um amigo e um conselheiro, sem nunca perder o respeito dos seus alunos. Horace Slughorn, representado por Jim Broadbent, é uma nova personagem na história, sendo uma adição divertida e crucial na história. Tom Felton, como Draco Malfoy, já não nos é apresentado como o menino rico mimado, mas como alguém profundamente perturbado e negro. Helena Bonham-Carter (como eu a adoro) participa muito mais neste filme, sendo contagiante a sua malvadez. Finalmente, Bonnie Wright, como Ginny Weasley, que nos filmes anteriores quase não tinha importância, faz-nos aqui perceber por que é que Harry se apaixona por ela, desenvolvendo uma personalidade mais decidida e carismática.

Este filme é um sucesso a todos os níveis. Queixa-se quem leu o livro que faltam algumas sequências mais ou menos importantes, mas dizem também que esta é a melhor adaptação dos livros de J. K. Rowlling até agora. Há também episódios que não existiam no livro, assim como algumas subtilezas e pormenores que elevam esta aventura à estratosfera.

Vou ler este e o próximo livro avidamente, aguardando pelo próximo filme (o último livro será dividido em dois filmes) que estreará daqui a 18 meses. Uma verdadeira surpresa para mim, uma vez que esperava sair da sala de cinema (esgotada) com um sabor agridoce na boca, quando afinal saí de lá maravilhado.

O melhor filme que vi este verão. (Até agora)


Ficam aqui duas cenas inéditas do filme:

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Psycho - Um Ensaio Sobre a Loucura

Olá Pessoal!

Já alguma vez se sentiram seguidos num beco escuro? Alguma vez se sentiram desconfortáveis quando alguém não tira os olhos de cima de vocês? Já se depararam com um rasto de sangue no passeio? E com sapos mortos e vestígios de voodo à porta de vossa casa? Este ensaio não é aconselhável para quem já passou por estas situações... Muito menos para quem desenvolveu algum tipo de pânico ou medrosos crónicos. E não esqueçamos os próprios psicopatas... Este é um ensaio para quem está interessado em ver filmes de perder a cabeça.
Psycho (de Alfred Hitchcock) - 1960
Este é um filme sobre aquele tipo de psicopatas em que a gente nota que há algo de estranho com aquela pessoa, mas não fazemos a menor ideia do que é. Norman Bates, interpretado por Anthony Perkins, era filho de uma mãe autoritária e manipuladora. Desta relação edipiana, Norman cresceu como um rapaz introvertido e demasiado rígido e tímido... Aparentemente, "incapaz de matar uma mosca". Pois... "ele" podia ser incapaz de tal coisa, mas o mesmo não se podia dizer da sua inválida mãe. Norman tornou-se esquizofrénico após a morte da mãe e esta sua personalidade maternal assegurou-se de que o filho lhe seria sempre fiel, tomando conta do seu motel, e matando qualquer rapariga que pudesse demonstrar o menor interesse pelo filho. O segredo de Hitchcock para o segredo deste filme? Fazer com que tivéssemos pena do pobre rapaz, de tal forma que nunca imaginariamos que este fosse um psicopata... e assassinasse a bela Janet Leigh durante o duche, nomeada para o oscar de melhor actriz secundária, assim como o realizador. Gus Van Sant fez também um remake deste filme, algo desnecessário.
Silence of the Lambs (de Jonathan Demme) - 1991/Hannibal (de Ridley Scott) - 2001/Dragão Vermelho (de Brett Ratner) - 2002
Hannibal - The Cannibal! Hannibal Lecter, psiquiatra brilhante, com uma inteligência superior, era afinal um canibal que comia quem não "merecia" habitar este planeta. Não precisa de apresentações. Talvez o psicopata mais famoso do mundo. Perto deste senhor, não se arrisquem a não ser algo menos que perfeitos. A mediocridade pode ser o vosso bilhete de morte. Este é um psicopata apaixonante, tal é o seu carisma, génio e ironia. Valeu um bem merecido oscar a Anthony Hopkins (no primeiro filme) e um ordenado chorudo por cada filme. Só a platónica relação que manteve com Clarice fez com que a respeitasse e ajudasse a apanhar outros assassinos enquanto preso na sua prisão de alta segurança. Esta investigadora do FBI, pela sua coragem e inteligência, era o perfeito objecto de desejo. Interpretada por Jodie Foster (que também ganhou um oscar) no Silêncio dos Inocentes e por Julliane Moore em Hannibal. Se alguma vez forem convidados para jantar com alguém assim, certifiquem-se que só aceitam se vos garantirem que não fazem parte da ementa.
Misery (de Rob Reiner) - 1990
Pensem duas vezes antes de se tornarem famosos. Nunca saberão até onde pode ir a loucura de uma das vossas fãs! Paul Sheldon, interpretado por James Caan, é um escritor que se tornou famoso devido a uma das suas personagens: Misery Chastain, uma heroína do século XX que sobrevive a diversas aventuras, romances e dramas pessoais. Um dia, farto de escrever sempre sobre uma personagem que nunca o cativou, decide matar a dita personagem. Livre dela, escreve finalmente a sua obra-prima num refúgio nas montanhas, e enquanto regressa a Nova Iorque, para o poder publicar, tem um acidente. Acontece que a sua fã#1 o encontra e resgata-o, antes de morrer dos ferimentos e do frio no meio da neve. Leva-o para sua casa, trata-o e alimenta-o, mantendo-o refém até que o seu escritor preferido resuscite Misery, escrevendo um novo livro só para ela. Kathy Bates ganhou o oscar de melhor actriz por este papel, tornando-se famosa com esta mulher perturbada, isolada nas montanhas, de trato difícil e com possíveis abusos em criança. O filme capta muito bem o tom do livro de Stephen King. Todavia, como leitor, tenho que afirmar que o livro é uma alucinante aventura pelo obscuro mundo do desespero, loucura e sofrimento...
Sir Arthur Connan Doyle também foi ameaçado de morte quando decidiu que Sherlock Holmes morreria no seu último livro. Déjà Vu?
Sweeney Todd: O Terrível Barbeiro de Fleet Street (de Tim Burton) - 2007
Não confiem em quem sabe manejar melhor lâminas do que vocês. Benjamin Barker (Johnny Depp), movido pela vingança, depois de ter perdido mulher e filha e ser exilado de Londres, por causa do juiz Turpin (Alan Rickman), sem escrúpulos, regressa à grande cidade com uma insaciável sede sanguinária. A conselho de Mrs. Lovett (Helena Bonham Carter), que tem falta de clientela, decide adiar um pouco a sua vingança e ir treinando a arte da degolação nos seus clientes e outros inimigos (como o hilariante Sacha Baron Cohen). Mrs. Lovett usa os corpos para fazer as mais deliciosas empadas de Londres e juntos formam uma parelha de sucesso, que atrai cada vez mais clientes deprevenidos para a morte certa. Tim Burton adaptou magistralmente esta ópera de forma hilariante e simultaneamente assustadora. O sangue inunda o ecrã num filme musical que ficou para a história do cinema e arrebatou o oscar de melhor direcção artística. Protejam as vossas jugulares!

Shining (de Stanley Kubrick) - 1980
O trabalho pode levar-nos à loucura. E se, em vez de serem os outros a ameaça, formos nós próprios? Jack Nicholson interpreta aqui um ex-alcoolico que encontra uma oportunidade de emprego irresistível: Guardar o hotel Overlook durante o Inverno, totalmente isolado da civilização, apenas com a companhia da sua mulher e filho, onde poderá escrever o seu romance. Acontece que este hotel já tinha sido palco para outros acontecimentos macabros, e os fantasmas que o assombram encontram neste homem a marioneta perfeita para praticar as suas horríveis maldades. Um filme que tornou Stephen King famoso pelos seus assustadores livros e personagens perturbadas e que revolucionou o cinema de terror.
"All work and no play makes Jack a dull boy."
Deixo aqui um vídeo que exemplifica o que poderia ter acontecido naquele hotel se as coisas não tivessem corrido mal... http://www.youtube.com/watch?v=sfout_rgPSA
E tantos outros psicopatas que eu aqui podia ter mencionado... Heath Ledger como Jocker em The Dark Knight, Javier Bardem como Anton Chigurh em Este País Não é Para Velhos, Rebecca de Mornay como a belíssima e perigosa baby-sitter em A Mão que Embala o Berço, ou até mesmo Christian Bale como Patrick Bateman em American Psycho.

Loucos? Eles estão por todo o lado...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Great Expectations - Avatar



Olá Pessoal!
Boas notícias para os amantes do cinema e para quem é fã do grande James Cameron. Este está a fazer um filme chamado AVATAR, que deverá estrear no final do ano, com pompa e circunstância.
Há um tremendo secretismo por detrás desta obra, que é o regresso de James Cameron à realização de longas metragens (fez alguns documentários entretanto) depois de Titanic... Já lá vão 12 anos. Na minha opinião, este senhor ainda não fez nenhum filme mau. As histórias são sempre intensas e envolvem o espectador, os argumentos são sólidos, as personagens carismáticas e todos os seus filmes são conhecidos por terem as melhores cenas de acção e efeitos especiais topo de gama (Aliens, O Abismo, Exterminador Implacável 1 e 2, A Verdade da Mentira e o já mencionado Titanic).
Como já é hábito, a história deste filme surgiu totalmente da sua imaginação. É uma espécie de filme épico, totalmente inovador, passado num planeta longínquo, para onde alguns humanos vão, incluindo Sam Worthington que saltou para a ribalta com o último Exterminador Implacável, na sua mega-nave-espacial e temos direito a novas civilizações, criaturas incríveis e monstruosas... Enfim, até o habitat do planeta, incluindo espécies vegetais, foi completamente criado a partir do zero, para que não houvesse qualquer semelhança com a Terra. Finalmente, Cameron promete a mais colossal batalha da história do cinema. "A Mãe de todas as Batalhas!"
Porquê o atraso deste regresso ao mundo do cinema? Porque este senhor já acalentava este projecto há mais de dez anos, e só agora foi possível concretizá-lo, tendo demorado anos a desenvolver as novas tecnologias que foram inventadas para se poder fazer este filme. Promete revolucionar a forma de fazer filmes para todo o sempre... Esperemos para ver de que forma as coisas evoluem. Agora, devemos ter em conta que as expectativas para este filme são tremendamente altas. Será que o realizador as vai conseguir superar? E não será a história demasiado irreal ou fantasiosa? E com todo o dinheiro gasto nas novas tecnologias... conseguirá o filme fugir ao fracasso de bilheteira? Bem... Eu não estou muito preocupado. Estas eram as mesmas dúvidas levantadas quando Cameron fez Titanic, e hoje sabemos o resultado. Foi só o filme que rendeu mais dinheiro em toda a história do cinema (até hoje) e um dos mais amados (e odiados).
Apesar da premissa, James Cameron é uma aposta segura. Será que volta a participar na corrida aos oscares?
Aqui fica um link para quem estiver interessado em mais pormenores acerca deste filme: http://www.filmschoolrejects.com/news/cameron-talks-avatar-at-e3-and-talks-and-talks.php

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Terminator - Salvation



Oi Pessoal!
Boas novas. Este fim-de-semana consegui satisfazer o meu ego cinéfilo e fui ver mais um blockbuster deste verão. Um que tem sido pouco acarinhado pela crítica e ignorado pelo público americano... O que é uma pena...
"Exterminador Implacável: A Salvação" não é uma obra de arte, nem vai ficar para a história do cinema. Não é tão bom como o primeiro e segundo capítulos desta tetralogia. Todavia, é uma boa peça de cinema, bastante bem conseguida, tendo em conta o desafio e as dificuldades em fazer justiça aos seus predeceçores (esqueçamos o terceiro filme, por agora). Convenhamos... são poucos os realizadores que estão à altura da genialidade de James Cameron, que além de ter assinado os dois primeiros filmes, cujas histórias foram 100% produto da sua imaginação, também realizou Aliens e Titanic.
Desta forma, o peso sobre os ombros de McG, realizador de "Anjos de Charlie", era substancial. E safou-se relativamente bem! Conseguiu desenvolver uma história interessante, aproveitando a premissa, as personagens principais e pouco mais. Passa-se em 2018, depois do Dia do Julgamento, em que as máquinas destruiram o mundo com as nossas armas nucleares e iniciou-se a guerra contra os humanos. John Connor (Christian Bale) não é, ainda, o líder da resistência, sendo encarado pelos outros sobreviventes como uma espécie de profeta, escapando ao cliché que se previa. Entretanto, temos Marcus Wright, interpretado por Sam Worthington (do qual irei falar daqui a uns tempos), um assassino que em 2003, antes do Dia do Julgamento, está no corredor da morte e doa o seu corpo para um laboratório de pesquisa contra o cancro, a pedido da Drª Serena Kogan, interpretada por (surpresa!) Helena Bonham Carter (Fight Club, Sweeney Todd). Inexplicavelmente, Marcus acorda em 2018 e... é uma máquina, apesar de não o saber.
Sam Worthington rouba o protagonismo a Christian Bale, o qual é um John Connor competente, apesar de lhe faltar qualquer coisa... Talvez o carisma de um líder... De qualquer forma, interpretam ambos personagens ricas, perante dolorosos dilemas, o que recupera um pouco do espírito filosófico dos primeiros filmes. Mas apenas um pouco. Falta alguma intensidade às personagens e um argumento mais atento aos sentimentos e motivações destas.
Finalmente, termino dizendo que as personagens femininas foram todas sub-aproveitadas. Teria sido muito interessante explorar um pouco mais da atracção de Blair Williams (Moon Bloodgood), uma mulher lindíssima, com um delicioso ar felino, por Marcus Wright. Kate Connor, ao ser interpretada por Bryce Dallas Howard (brilhante em "A Vila"), devia ter sido muito mais desenvolvida, sendo neste filme apenas a mulher de John Connor e médica das tropas da resistência. Uma actriz com o calibre dela, merecia mais.
Não vale a pena falar muito dos efeitos especiais. São dos mais realistas que eu já vi. Basta dizer que Schwarzenegger aparece, trinta anos mais novo, apesar de não ter participado neste filme. Soberbo! Fiquei perplexo.
Assim, lamento que este filme não tenha mais sucesso, porque vale realmente a pena ser visto e revisto, mesmo tendo em conta os seus defeitos. Mas tendo em conta que é realizado pelo McG, o resultado poderia ter sido muito mau. Assim, admito, eu sou fã destes filmes e não fiquei decepcionado. Mete o "Exterminador Implacável3 - A Ascensão das Máquinas" num sapatinho.
Venha o próximo, porque a guerra ainda não acabou.
Deixo aqui dois clips do filme:

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Star Trek


Oi pessoal,

Tem sido difícil ir ao cinema, mas finalmente consegui, esta semana. Como o filme tem acolhido boas críticas e estava quase a sair dos cinemas, decidi ir ver o Star Trek e dificilmente teria ficado mais satisfeito.

Não conheço o universo trekkie, mas tal também não é necessário para apreciar este filme. Basta boa disposição, sentido de humor, boa companhia e querer descontrair durante duas horas.

Este filme regressa às origens da saga, de modo a que ficamos a conhecer as origens das duas personagens principais: Spock (Zachary Quinto) e Jim Kirk (Chris Pine). É o reinventar de uma nova saga. A ameaça surge por parte de Nero (surpresa das surpresas: interpretado por Eric Bana) que pretende destruir todos os planetas pertencentes à Federação, incluindo Vulcan, o planeta de Spock, que é destruído, e o planeta Terra, obviamente.

Vou começar por elogiar o elenco, escolhido na perfeição para criar um filme que pretende, acima de tudo, divertir e sacudir o pó de uma série de filmes esquecidos e de uma fórmula gasta. Somos prendados com personagens jovens, em topo de forma, rebeldes e sem medo de ir à luta. Chris Pine interpreta um James T. Kirk revoltado (em parte por ter crescido sem o pai), conflituoso e com um carisma a que poucas damas resistem. Dentro deste restrito grupo, está Zoe Saldanha, que interpreta Uhura, e se torna irresistível precisamente por ser imune ao engate de Kirk (além de ser extremamente sensual). Zachary Quinto interpreta um Spock que cresceu com a discriminação de ser filho de um pai vulcano e uma mãe humana (interpretada por Winona Ryder, e eu nem a reconheci), sobrepondo a lógica a todas as emoções. É desta antítese entre as duas personagens principais que nasce uma relação de desprezo e rivalidade, que depois evolui para uma relação de entre-ajuda, amizade e respeito, conforme se vão conhecendo. Entretanto, a espectacular parada de actores prossegue com Jennifer Morrison, actriz conhecida por interpretar a Drª Cameron na série "House", como a mãe de Kirk no início do filme, Eric Bana (quase irreconhecível) como o rancoroso, negro e vingativo vilão, Bruce Greenwood (National Treasure; Capote) como Capitão Pike, Simon Pegg (fantástico actor cómico britânico) e até temos direito ao regresso de Leonard Nimoy à saga, num momento revelação do filme.

De resto, tenho a dar os meus parabéns a J. J. Abrams, que depois das séries "Lost" e "A Vingadora", e de "Missão Impossível 3" e "Cloverfield", conseguiu o que muitos considerariam impossível, fazendo renascer esta fénix das cinzas (pode parecer exagero, mas devem concordar comigo quando digo que a série estava morta e este foi um renascer em grande estilo). A história é consistente, com temas como a discriminação, a vingança e a extinção das espécies (!), as personagens são bem desenvolvidas, o ritmo do filme é constante, com acção trepidante e adrenalina nas doses certas, e os efeitos especiais são topo de gama.

Para ver e rever. É bestial. Aqui está um dos trailers, para ficarem com um cheirinho...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Wesley Snipes e a Cultura...



Oi pessoal,

Venho aqui queixar-me da nossa televisão nacional! No passado sábado à noite, enquanto devia estar a estudar para os exames desta semana, fiz um pouco de zapping e fiquei alucinado.

Na RTP1, estava a dar o Saw3... Não gosto do filme. Gostei do primeiro, uma espécie de filme de terror psicológico, com dois homens a tentar sobreviver a qualquer custo, mas tudo o que fizeram nos filmes seguintes foi transformar a premissa numa espécie de "quebra-cabeças" (ou "Jigsaw", se preferirem) com sangue e tripas. Para onde foi o terror? Só mete nojo!

Agora, a cereja em cima do bolo, ou do gelado, porque faz calor: Na SIC estavam a passar um filme do Wesley Snipes! E como se isso não fosse suficientemente mau, na TVI estavam a passar... Outro filme do Wesley Snipes! Pareciam réplicas um do outro! Em ambos, ele tinha o mesmo ar inexpressivo (que pretende ser de durão, mas na verdade é só falta de personalidade) a contracenar com uma actriz boazona com falta de talento. A da SIC era latina e bem boa, a da TVI era loura e pouco interessante. hehehe. Em ambos os filmes as gajas estavam sempre a mandar-lhe bocas e "odiavam-no" enquanto ele as tratava abaixo de cão. Claro que aquilo é só feromonas e depois começam a falar sobre o passado, ficam enternecidos um com o outro e vão p'á cama! Entretanto, tinham perseguições com carros baratos, mal filmadas e coreografadas, com gritos histéricos e os clichés do costume: carros a ir contra mercados, para atirar flores e fruta pelo ar, e depois há sempre alguém que vai numa mota e bate contra o carro... Enfim... Tudo tão mau e privisível quanto as telenovelas que passam depois do jantar. Até o meu irmão de 13 anos conseguia prever o que ia acontecer a seguir, e não se enganou uma única vez.

Decidi mudar de canal, apesar de aquilo ser tão mau que prendia a atenção, e naveguei pela TVCabo. E não é que nos canais TVCine estavam a passar dois clássicos do cinema? O Padrinho e o Padrinho III.

O que é que eu posso concluir daqui? Só quem tem acesso a melhores meios de comunicação tem direito a cultura? Quem não tem TVCabo não pode ver bom cinema na televisão? E o que é que o Wesley Snipes anda a fazer na televisão? Depois dos filmes do Blade, não fez mais nada além de filmes directos para DVD... E ainda bem, porque não queria ver gente a desperdiçar dinheiro com filmes deste tipo no cinema. Francamente, um tipo que pensa que filmar um filme de acção com a câmara de pernas para o ar é uma boa ideia, nem devia receber um tostão.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Shit#2



Oi pessoal,
Num país em que a ditadura é uma ferida no nosso passado tão recente, é triste pensarmos que a censura subsiste, dissimulada, entre nós. A censura está nas nossas televisões, nos nossos jornais, nos nossos filmes e nas nossas escolas. Está por todo o lado! Tenham cuidado com a censura!

LOL.
Agora a sério. Um dos mais recentes excrementos do fabuloso mundo de Joel Pear passou precisamente pelo infame confronto com esta realidade. Quando pensava que vivia num país democrático, fui obrigado a renunciar à minha liberdade de expressão e a retirar um dos meus filmes (filmado na minha escola) do Youtube. Muito sinceramente, estou tentado a expôr o dito filme neste blog, mas não o farei, devido ao risco de represálias. Pelo menos, enquanto frequentar aquela escola. Aquela escola que eu odeio e cujo nome não vou mencionar por me dar tanto asco! Só falta um ano para terminar este curso merdoso, e, sinceramente, quanto mais depressa o terminar, melhor.

Mas a minha revolta é imensa, assim como a minha indignação.

Ora, quando o Youtube está cheio de vídeos filmados na nossa escola, alguns dos quais dentro das instalações, por que razão apenas o meu teve que ser retirado do dito site? Porque os outros videos tinham sido feitos por alunos do curso do presidente da escola! O meu filme não prejudicava em nada a imagem da escola, enquanto "instituição". Porém, feriu a sensibilidade de uma pessoa que viu no filme os defeitos que as instalações da escola tinham. Era um filme cómico, inocente, feito como trabalho de grupo para uma das disciplinas. E por não terem as instalações da escola em condições, eu é que tive que tive de retirar o filme da Internet, por medo de represálias... e digamos que a minha situação escolar está um pouco precária e é fácil obrigarem-me a ficar mais um ano...

Por que é que nos incutem estas merdas da liberdade, quando na prática, estamos todos fodidos e sob o controlo e opressão de quem está acima de nós? E depois temos que escolher entre sermos fodidos por obedecer e ir a favor da maré, ou sermos fodidos por irmos contra a maré... e nos afogarmos...

Remember, remember, the fifth of November...